O presente trabalho insere-se no debate crítico sobre imperialismo, colonialismo e soberania na periferia do capitalismo, analisando o papel do regime informacional contemporâneo na produção e circulação de narrativas sobre a Venezuela no ambiente digital brasileiro. Isto posto, no capitalismo de plataforma, a informação assume centralidade estratégica, operando como instrumento de poder simbólico, político e geopolítico. Nesse contexto, as plataformas sociais hegemônicas pertencem a conglomerados tecnológicos estadunidenses. Tais elementos exercem influência significativa sobre os fluxos informacionais no Sul Global, impactando a soberania informacional e o debate público em países como o Brasil.
Nesse sentido, o problema da pesquisa consiste em compreender a forma como a hegemonia informacional estadunidense se manifesta nos discursos sobre a Venezuela no X (antigo Twitter) brasileiro, especialmente em contextos de crise e tensão internacional, e quais são os limites e implicações dessa dinâmica para a soberania informacional. O objetivo geral é analisar criticamente a relação entre imperialismo digital, regimes de informação e dependência informacional, tomando o Brasil como espaço de recepção, mediação e reprodução dessas narrativas. Como objetivos específicos, busca-se: (i) discutir o conceito de regime de informação à luz da Economia Política da Comunicação e da Ciência da Informação; (ii) identificar mecanismos estruturais de hegemonia informacional presentes na plataforma Twitter; e (iii) refletir sobre os desafios para a construção de alternativas contra-hegemônicas no contexto brasileiro.
Em relação ao trabalho metodológico, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de caráter teórico-empírico, fundamentada na Economia Política da Comunicação e da Informação, em diálogo com estudos críticos da informação e abordagens decoloniais. O marco teórico articula contribuições sobre imperialismo, hegemonia, colonialismo digital, regime de informação e soberania informacional. A etapa empírica consiste na análise de um corpus composto por aproximadamente 150 tweets publicados por perfis brasileiros, número considerado suficiente à luz do critério de saturação teórica adotado em pesquisas qualitativas e etnográficas robustas. Os dados serão coletados no período entre 3 de janeiro de 2026, episódio de intensificação dos conflitos diplomáticos e militares entre a Venezuela e os Estados Unidos, e 24 de janeiro de 2026, momentos de repercussão e análises políticas. A coleta dos dados será realizada a partir de palavras-chave e hashtags relacionadas ao tema, examinadas por meio da análise de enquadramentos e de discursos, considerando o papel da mediação algorítmica, da concentração comunicacional e da atuação de perfis midiáticos e políticos.
A discussão preliminar indica que as narrativas predominantes sobre a Venezuela no ambiente digital brasileiro tendem a reproduzir enquadramentos hegemônicos alinhados aos interesses geopolíticos do Norte Global, reforçando representações negativas, simplificadas e descontextualizadas do país. Tal dinâmica evidencia a fragilidade da soberania informacional brasileira, marcada pela dependência estrutural de plataformas digitais estrangeiras.
Como resultado esperado, sustenta-se a hipótese de que o enfrentamento do imperialismo digital exige não apenas a regulação técnica das plataformas, mas também o fortalecimento da competência crítica informacional da população. Em suma, revela-se essencial o estímulo à produção comunicacional autônoma, o questionamento crítico e a construção de regimes informacionais mais democráticos, capazes de ampliar a pluralidade discursiva e a autonomia epistemológica.
Comissão Organizadora
Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)